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Ago15

Caráter e paradigma

por Hilton Besnos

O único paradigma humano real é o caráter, os demais são infindos pontos de interesse que flutuam, aqui e ali sem qualquer outro sentido senão confirmarem a si próprios e influírem sobre a sociedade, criando ou mantendo estruturas de poder. O caráter é ouro, é uma permanência de e em honra, coragem, fidelidade, conferindo o sentido mais real da locução fiducia latina e é um sinal que te distingue dos que não o possuem e te aproxima dos melhores.

Quem tem caráter sacrifica muitas vezes seus interesses reais pelo que lhe torne a consciência tranquila, não por pieguice nem pela vaidade fútil da admiração alheia, mas, simplesmente, por valores acreditados. Talvez por isso o caráter não seja um bem circulante, no comércio. Sua maior riqueza está ligada ao Nome, não aquele que se associa à arrogância, às fortunas, aos interesses apócrifos e mesquinhos, mas, tão-só ao Nome.

O Nome e o caráter se retroalimentam, são autopoiéticos e associam-se de tal modo que se tornam indissociáveis e indissolúveis. São ambos, o Nome e o caráter, símbolos plenos de respeito e de autoridade. Ambos são reconhecidos quase como uma entidade.

Porém, como todos os demais paradigmas, também o caráter há de ser ensinado e aprendido. Não pode ser ensinado por quem não o ostenta, não pode ser aprendido por quem coloca o mundo a seus serviços e vontades.

O caráter faz com que dúvidas sejam afastadas, partindo de princípios simples e universalmente reconhecidos. É aprendido todos os dias, desde que nascemos, e se traduz pela serenidade em reconhecer-se no Outro, naquele que não somos, mas poderíamos ser. Assim, o caráter prescinde de grandes discursos, de eloqüências e de suportes ideológicos e/ou religiosos. Ao caráter, basta ver-se no Outro. Ao caráter, basta manifestar-se em relação ao Outro. Ao caráter basta bastar-se.

Ter caráter é compromissar-se com aquilo que aprendemos. Talvez, aí, resida o verdadeiro espírito de fraternidade: solidarizar-me com o que sei, com o que acredito, e não transigir por interesses mesquinhos. Quando me solidarizo com o Outro, o faço comigo mesmo, me torno congruente ante minhas convicções, que não são pedras, e, especialmente, me torno congruente ante minhas escolhas. HILTON BESNOS

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13
Ago15

http://filosofonet.wordpress.com/2012/07/02/o-que-e-paradigma-segundo-thomas-kuhn/#comment-1612

Publicado em 02/07/2012, Por Michel Aires de souza 

Entender as ciências é conhecer sua prática, seu funcionamento e seus mecanismos. É compreender o comportamento do cientista, suas  atitudes e suas decisões. Foi a partir da compreensão da prática do cientista que Thomas Kuhn desvelou os mecanismos internos das ciências. Para ele as ciências evoluem através de paradigmas.  Paradigmas são modelos, representações e interpretações de mundo universalmente reconhecidas que fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade científica.

É por meio dos paradigmas que os cientistas buscam respostas para os problemas colocados pelas ciências. Os paradigmas são, portanto, os pressupostos das ciências. A prática científica ao fomentar leis, teorias, explicações e aplicações criam modelos que fomentam as tradições científicas.  Segundo Kuhn, os “paradigmas são as realizações cientificas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornece problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência” (Kuhn, 1991, p.13).  A física de Aristóteles é um bom exemplo de paradigma, sua teoria  foi aceito por mais de mil anos. A astronomia Copernicana, a dinâmica Newtoniana, a química de Boyle, a teoria da relatividade de Einstein também são paradigmas.

        O conceito de paradigma surgiu das experiências de Kuhn como cientista. Ele percebeu que a prática cientifica é uma tentativa de forçar a natureza a encaixar-se dentro dos limites preestabelecidos e relativamente inflexíveis fornecido pelo paradigma. Ou seja, a ciência é uma tentativa de forçar a natureza a esquemas conceituais fornecidos pela educação profissional. Na ausência de um paradigma, todos os fatos significativos são pertinentes ao desenvolvimento de uma ciência.

        O motor das ciências é a luta entre moldelos explicativos, entre teorias e concepções de mundo, “o desenvolvimentoda da maioria das ciências têm-se caracterizado pela contínua  competição  entre diversas concepções de natureza distintas”. (Kuhn, 1991, p.22). É o que Kuhn denomina de ciência normal. A ciência normal não se desenvolve por acumulação de descobertas e invenções individuais, mas por revoluções de paradigmas. Por exemplo, a teoria geocêntrica de Ptolomeu, que afirmava ser a terra o centro do universo, foi substituída por um novo modelo, a teoria heliocêntrica de Copérnico, que afirmava ser o sol o centro. Outro exemplo é a teoria da gravitação de Newton, que afirmava ser a gravidade  uma força fundamental existente em todos os corpos. Essa teoria foi completamente modificada por um novo modelo explicativo, a teoria da relatividade-geral de Einstein. Segundo esse novo modelo, a gravidade não seria uma característica dos corpos, mas das distorções do espaço-tempo local causado pelo peso das massas dos corpos. Essas transformações de paradigmas são revoluções científicas e “a transição sucessiva de um paradigma a outro, por meio de uma revolução, é o padrão usual de desenvolvimento da ciência amadurecida” (Kuhn, 1991, 32).

      Para Kuhn a ciência normal são as pesquisas que estão baseadas em conquistas do passado. Essas conquistas são reconhecidas pela comunidade científica de uma área particular e possuem duas características comuns. A primeira característica é que suas conquistas atraem um grande número de cientista em torno de uma atividade ou teoria. A segunda afirma que suas realizações estão abertas para a comunidade científica problematizar e resolver toda espécie de problemas.  Os cientistas que compartilham um mesmo paradigma estão comprometidos com as mesmas “regras” e “padrões” estabelecidos pela prática científica. “A ciência normal, atividade na qual a maioria dos cientistas emprega inevitavelmente quase todo seu tempo, é baseada no pressuposto de que a comunidade científica sabe como é o mundo. Grande parte do sucesso do empreendimento deriva da disposição da comunidade para defender esse pressuposto – com custos consideráveis se necessário”. (Kuhn, 1991, p.24).

       Kuhn (1991) afirma ainda que o paradigma se constitui como uma rede de compromissos ou adesões, conceituais, teóricas, metodológicas e instrumentais compartilhados. O paradigma é o que faz com que um cientista seja membro de uma determinada comunidade cientifica. Através da educação o jovem adquire os esquemas conceituais de sua atividade. É a educação profissional que lhe permitirá aprender e internalizar esses pressupostos. Uma vez aprendido o cientista vai compartilha-los em sua prática profissional.

         Outra característica importante do paradigma é que ele não depende de regras externas. Para Kuhn (1991, p.69), os problemas e técnicas da pesquisa que surgem numa tradição não estão necessariamente submetidos a um conjunto de regras. A falta de uma interpretação padronizada ou de regras não impede que um paradigma oriente a pesquisa. Na verdade, a existência de um paradigma nem mesmo precisa implicar a existência de qualquer conjunto completo de regras.  Isso significa que a ciência normal não é um empreendimento unificado e monolítico. As várias ciências e seus vários ramos são bastante instáveis, muitos delas não têm coerência entre suas partes. Há grandes revoluções como pequenas revoluções, algumas apenas afetam apenas uma parte de um campo de estudos, outras afetam grupos bastante amplos. Devido a esta estrutura instável das ciências é impossível uma total padronização dos paradigmas.  

 

Bibliografia

KUHN, Thomas. S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1991.

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