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23
Ago15

.Literacy. por .krish.Tipirneni.

Em 2008.

Pois meu filhote de seis anos, por esses dias, comentou:

“-Pai, saber ler e escrever muda muita coisa.”

” -Por que?, filho, eu quis saber. “Porque quando eu não sabia ler nem escrever, eu olhava as letrinhas e pronto. Hoje, quando eu olho as letrinhas sei que são palavras, e então eu tenho que ler tudo que vejo!”, foi a resposta.

Achei interessante refletir sobre isso. Sabemos que ler é mais do que decifrar um código. Esse, o da decifração, o das hipóteses formuladas, é apenas o primeiro passo, mas até que seja conferida uma significação e se entenda o sentido pleno do que se lê há todo um processo de qualificação, de aprendizagem, que necessita de um tempo e de um processo progressivo, que sempre será mediado por terceiros e no qual há um mundo de circunstâncias que comporão o cenário para a solidificação desse conhecimento.

O encantamento de saber ler, de claramente entendermos o que se lê, abre não só um instrumental indispensável em uma sociedade letrada mas cria o hábito de prosseguirmos com o papel de leitor, que será mais ou menos aprofundado ao  longo do tempo. Se antes as letras eram apenas reconhecíveis como tal, hoje elas são frases, e com o tempo, além daquelas, mas histórias, estórias, mensagens, textos, letras de músicas, recadinhos, contas, contos, crônicas, romances, relatórios, cartas, discursos, poesia, memórias, bilhetes mais ou menos furtivos; as letras não apenas se juntarão, mas estabelecerão coerências, coesões, transmitirão vontades, visões de mundo, implicarão na nossa existência.

É bem possível que meu filhote não tenha ainda uma noção do que virá, mas, na sua idade e já alfabetizado, tem muito claro que a sua vida mudou (e com ela, a nossa!); já está mergulhado completamente em um mundo ainda desconhecido mas que irá ser um dos alicerces que configurará não só a sua história mas que será constituidor de sua identidade. A cada vez que lemos, mudamos um pouco, refletimos, nos excitamos um pouco, ficamos em paz, entramos em estado de alerta.

A experiência nos reserva o papel de filtragem. Lemos coisas boas e ruins porque queremos, mas admitir isso requer uma aquisição cultural que somente se dá através do mundo letrado, em seu sentido maior, o que inclui a arte, a ciência, a tecnologia, as trocas de informações e a própria experiência humana. Que bom mergulharmos nesse mundo, de todo uma viagem da qual, raramente queremos abrir mão. HILTON BESNOS

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