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15
Ago15

Caráter e paradigma

por Hilton Besnos

O único paradigma humano real é o caráter, os demais são infindos pontos de interesse que flutuam, aqui e ali sem qualquer outro sentido senão confirmarem a si próprios e influírem sobre a sociedade, criando ou mantendo estruturas de poder. O caráter é ouro, é uma permanência de e em honra, coragem, fidelidade, conferindo o sentido mais real da locução fiducia latina e é um sinal que te distingue dos que não o possuem e te aproxima dos melhores.

Quem tem caráter sacrifica muitas vezes seus interesses reais pelo que lhe torne a consciência tranquila, não por pieguice nem pela vaidade fútil da admiração alheia, mas, simplesmente, por valores acreditados. Talvez por isso o caráter não seja um bem circulante, no comércio. Sua maior riqueza está ligada ao Nome, não aquele que se associa à arrogância, às fortunas, aos interesses apócrifos e mesquinhos, mas, tão-só ao Nome.

O Nome e o caráter se retroalimentam, são autopoiéticos e associam-se de tal modo que se tornam indissociáveis e indissolúveis. São ambos, o Nome e o caráter, símbolos plenos de respeito e de autoridade. Ambos são reconhecidos quase como uma entidade.

Porém, como todos os demais paradigmas, também o caráter há de ser ensinado e aprendido. Não pode ser ensinado por quem não o ostenta, não pode ser aprendido por quem coloca o mundo a seus serviços e vontades.

O caráter faz com que dúvidas sejam afastadas, partindo de princípios simples e universalmente reconhecidos. É aprendido todos os dias, desde que nascemos, e se traduz pela serenidade em reconhecer-se no Outro, naquele que não somos, mas poderíamos ser. Assim, o caráter prescinde de grandes discursos, de eloqüências e de suportes ideológicos e/ou religiosos. Ao caráter, basta ver-se no Outro. Ao caráter, basta manifestar-se em relação ao Outro. Ao caráter basta bastar-se.

Ter caráter é compromissar-se com aquilo que aprendemos. Talvez, aí, resida o verdadeiro espírito de fraternidade: solidarizar-me com o que sei, com o que acredito, e não transigir por interesses mesquinhos. Quando me solidarizo com o Outro, o faço comigo mesmo, me torno congruente ante minhas convicções, que não são pedras, e, especialmente, me torno congruente ante minhas escolhas. HILTON BESNOS

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