Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

EM 2011
Após um feriadão que iniciou no dia 09, estamos retornando ao trabalho hoje. Pois bem, aqueles professores que tem um dia de folga nas quartas-feiras, não trabalham desde o dia 08 (hoje é treze de abril). Convenhamos: é um senhor feriadão, para todos os gostos. No mínimo dos mínimos, quatro dias sem ir para a escola. Pois hoje, bem no início da manhã, por volta das 7 h 35, o que mais escuto na sala dos professores são reclamações. O feriadão foi curto – Ah, que inferno ter de começar tudo de novo – Não gosto de feriado porque perco meu ritmo de trabalho – Hoje quando me levantei e vi que tinha de ir à escola, me estragou o dia – Como foi bom ficar longe daquelas pragas – e assim por diante.
Não é um bom modo de iniciar uma volta de feriado, mas o que escrevi acima não ocorre somente nos retornos. Se você pensar que dali a minutos estará em sala de aula, ensinando adolescentes, terá claramente que esses comentários não levam a nada e que, além disso não existe, nesses professores nada mais além do ranço e do que entendem ser uma obrigação (lecionar), um ônus, um peso enorme a ser sustentado em seus ombros. Reclamam do próprio ofício, bem como de seus alunos o que não melhora a sua relação com o seu fazer profissional. Se não me engano, Confúcio disse: “escolha um trabalho que ama e não terá de trabalhar um único dia em sua vida”.
É claro que talvez alguns dos leitores pense que estou exagerando: é possível, se pensarmos somente na situação descrita; aliás, é bem possível que pense assim. Ocorre que isso é um padrão, uma linguagem já incorporada, uma tábua de argumentação negativa na qual muitos dos meus colegas se apoiam. Dar aulas não é prazer, acaba se transformando em uma tortura. Quando interiorizamos tal padrão, passamos a ser instáveis, infelizes, sonhando com um oásis como se sonhar fosse suficiente.
José Saramago, convidado para o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, cujo tema era “A utopia é possível”, confessou que não gostava desse termo, utopia e que portanto, estava na contramão do evento. Disse Saramago que a idéia de utopia era paralisante e que, antes de sonharmos, teríamos que enfrentar as realidades e que ela própria, utopia, dependia menos de recursos retóricos e mais de ação. Fazendo uma analogia, de que adianta sonharmos e especialmente nos estressarmos se o local onde trabalhamos ou os nossos alunos não são nem de longe os sujeitos cognitivos que pregava Piaget, enquanto fazia suas observações tão aplaudidas entre crianças suíças de classe média e alta?
Será que merecemos nos desgastar bem mais do que o que já fizemos? Será que ainda somos tão dependentes do pensamento mágico que falava Freire ou será que elegemos o caminho da permanente reclamação como o melhor a ser seguido? Tenho a impressão de que Saramago nos socorre de modo bastante eficaz, assim como Confúcio já o tinha feito séculos antes de Cristo nascer. Do mesmo modo, parece que esquecemos nossa capacidade de ouvir, e mesmo de ficarmos quietos, atentos, o que reduz enormemente outras habilidades.
De toda forma, você pode optar por buscar realizar a utopia ou ficar reclamando na espera que o seu circuito interno queime de vez. É bom não esquecer que, ao contrário do que muitos pensam, não é a razão que nos comanda, mas nossos sentimentos e emoções (a parte submersa do iceberg, que é bem maior que a emersa). Reclamar é o mesmo que buzinar em um engarrafamento. Enquanto pensamos sobre isso, talvez devêssemos sossegar nossas idiossincrasias e raivas e melhorar um pouco mais o ambiente geral, exercitando nossa gentileza, nosso bom humor e nossa inteligência emocional, o que seria bem melhor do que envenená-lo com nossas neuroses e achaques pessoais. HILTON BESNOS
Um dos conceitos que Bauman analisa no livro Vida para Consumo, Zahar Ed. é o de enxame. Enxames não são “equipes, não conhecem a divisão do trabalho. São … agregados de unidades dotadas de autopropulsão, unidas unicamente, … pela ‘solidariedade mecânica’, manifestada na reprodução de padrões de comportamento semelhantes e se movendo numa direção similar”. E segue: ” Os enxames, de maneira distinta dos bgrupos, não conhecem dissidentes nem rebeldes – apenas, por assim dizer, ‘desertores’, ‘incompetentes’ e ‘ovelhas desgarradas’. As unidades que se desviam do corpo principal durante o vôo apenas ‘ficaram para trás’, ‘perderam-se’ ou caíram pelo caminho'”. E finda Bauman: “Num enxame não há intercâmbio, cooperação ou complementaridade – apenas a proximidade física e a direção toscamente coordenado do movimento atual”.
Ora, se ao conceito de enxame acrescentarmos a definição de panóptico – uma central de controle e portanto de poder e de vigilância social onde o observado tem sempre seu comportamento, suas ações e/ou inações contabilizadas e registradas em um bando de dados, que debita desvalias e credita conveniências, poderemos chegar ao entendimento do que eu entendo de desconforto, no mais das vezes profissional.
Pessoalmente sempre priorizei a inteligência interpessoal – embora não seja um descurado técnico – o que é uma forma de arte. Divorciado de um comportamento gestor, embora saiba de suas imensas aplicabilidades, sobretudo práticas, busquei na maior parte das vezes alternativas humanas ao entrar em contacto com terceiros (pessoas físicas e/ou instituições), o que nem sempre devo ter feito com a eficiência ou eficácia desejadas. O direito me ensinou que tratar desiguais como iguais e iguais como desiguais é uma injustiça valorativa, não raro difícil de reparar. No entanto, também aprendi que o amesquinhar-se, o mediocrizar-se pode ser um belo mimetismo que muda ao sabor das pretensões individuais.
Enxames não toleram desgarrados como eu. É claro que isso não é explícito, mas o enxame entende conveniente, desejável que eu me submeta a determinados comportamentos que foram naturalizados em nível de gestão. É adequado, por exemplo, comparecer a um evento após ter lecionado uma tarde toda, e tendo duas horas de descanso, exatamente da maneira que saí da sala de aula, porque o único sentido é cumprir o ritual de fazer número em meio ao enxame. Fica, portanto, desagradável que eu faça diferente e que resolva ir para casa tomar um banho e dirigir-me para o evento. A diferença sutil é que, em assim agindo, eu não permito que a rainha-mãe do enxame me controle exatamente. Como vai poder saber exatamente onde estou, em que lugar fiquei, como mapear alguém fora do enxame? Como poderá, oh rainha-mãe, contabilizar tal gesto?
Ah, sim, tratou-se de um evento internacional de educação, envolvendo centenas e centenas de educadores, portanto muita gente, e, infelizmente, eu não estava abaixo das asas da rainha-mãe. Tsk tsk tsk..
Quando desenvolvemos uma interface com a realidade e não tememos o afastamento do enxame, corremos o risco de sermos, concretamente aquele ser perdido que Bauman analisou. No entanto, a reflexão é: precisamos estar no burburinho, no bater das asas do enxame? Isso é tão fundamental? É tão importante seguirmos os rituais prescritos, sermos tão adaptáveis até chegarmos ao ponto de não nos reconhecermos? Quando Bauman brilhantemente nos mostra questões sociais de convivência humana como seus conceitos de liquidez, não estará nos impelindo a pensarmos sobre as questões identitárias, ou, falando de outro modo, de como podermos fazer para não sermos nós mesmos, mercadorias?
Diz a sapiência: não basta sermos virtuosos, temos de parecer virtuosos. Em alguma situações, como as que se tratam de ritualizar e de naturalizar conceitos, é mais que necessário parecer virtuoso. Sempre é bom portar a previsibilidade, a acomodação, o achismo, e – jamais esquecer! – dos controles sob a forma de papéis, relatórios, atas e demais cornucópia que deve estar a disposição para os momentos mais cruentos. O papel prova, a palavra não! HILTON BESNOS
Eu sou daqueles que não acreditam na inexistência de boas notícias a serem divulgadas. No entanto, parece que ando, como sempre, na contramão. Sem dúvida, muito mais coisas ruins transbordam do que um mínimo de sanidade, bom senso e, por que não dizer, de humanidade. A exploração do que é pior é de tal modo constrangedor que nos coloca sempre em alerta, de modo tal que ver o Outro como um perigo iminente é totalmente plausível e, mais que isso, esperável.
Vivemos em uma época na qual o que nos dizem, e não subliminarmente, é que pessoas desconhecidas são perigosas, quase que naturalizando relações que poderiam se transformar em belezas na feiura da desconfiança mútua, da traição e da estupidez. Talvez possamos, então, nos divertir mais se ficássemos sós, comprando, comprando e comprando. Pela televisão, por exemplo (canais abertos, que são disponíveis à massa informe), devo ficar em casa, me alimento mal, tenho maus hábitos de saúde, leio pouco, e a violência deve me acompanhar vinte e quatro horas por dia. São estupros, escândalos, ameaças, corrupções, e mais todo o elenco de maldades de tal forma explicitadas e replicadas que, realmente, devo me mudar para uma ilha.
Mas mudar não tem muito sentido, de vez em quando. Talvez o belo e nobre cultivo das amizades seja uma boa alternativa. Estou tentando caminhar por aí. HILTON BESNOS

Só é obrigação o que não nos interessa; o mundo do trabalho é prenhe de coisas a fazer, de pouco tempo para fazê-las e de chatices inexpugnáveis. É claro que podemos ter muito prazer no que fazemos, podemos realizar muito, mas sempre temos alguém ou alguma instância que nos criteriza o que deve ser feito. Normalmente as compensações pessoais dizem respeito a como ou de que modo realizamos nossas atividades, mas isso não invalida sabermos que o mundo do trabalho é um mundo contratual, pactuado, com regras mais ou menos fixas e que, dependendo do que fizermos, segue um modus fascendi industrial.
A atividade regida pela industrialização é onerosa à nossa saúde, aumenta nosso estresse, nos põe em convívios que gostaríamos de evitar e nos escraviza ao relógio. Contamos os dias para as férias e, normalmente, não sabemos o que fazer com elas, senão nos prepararmos para mais um ano de estresse. Descansamos o suficiente para começarmos de novo, e nos desorientamos minimamente em relação à bússola que sempre aponta as mesmas rotinas. Por isso, essa desorientação é extremamente benéfica à nossa saúde. Se não à física, com certeza, à mental.
Nos horários de intervalo de nossas atividades do que falamos, sobre o que pensamos? Sobre as mesmas atividades, os mesmos serviços, os mesmos problemas. Se não fazemos isso de modo voluntário (ou involuntário, dada a rotina das nossas ocupações), sempre haverá alguém a nos lembrar. Um diretor, um supervisor, um orientador, um chefe, um colega.
Vivemos uma vida na qual o trabalho, muitas vezes opressivo, é nosso mais caro e mais estimado valor. Há workaholics por todo lado nos lembrando, nos alertando, nos dizendo, nos insinuando a respeito do que temos de fazer, do que deveríamos ter feito, do que foi feito de modo errado ou das nossas omissões. Tão certo quanto o sol nasce e se põe, sempre haverá alguém a nos lembrar, a nos martelar impiedosamente, a anotar, a registrar com uma memória implacável as nossas obrigações.
A essas pessoas, chamamos de responsáveis.
Nas escolas, um dos ambientes mais insalubres que conheço, há, além disso, o fenômeno da circularidade. No mais das vezes as conversas são sobre os mesmos assuntos. Como se trata de um mundo feminino e as mulheres são socialmente injustiçadas, há um sentimento de culpa que perpassa tudo. Há professoras que querem ser mães de seus alunos, e o caminho óbvio para isso é a subjetivação elevada a seus píncaros.
Por outro lado, a tão declarada objetividade masculina se perde entre tais culpas, se debate entre problemas caseiros e o psicologismo, não raro utilizado como bandeira ideológica.
O matriarcado sufoca o profissionalismo, especialmente se não houver um esforço bastante grande quanto à qualificação do corpo docente. No mais se troca a teoria pela empiria e o objetivo pelo subjetivo. Ao analisarmos uma questão objetiva, outras entram em foco: “mas o aluno tem problemas na família”, “ele foi mal, mas tem potencial”, “ele só está pensando em namoro”, “o pai dele é alcoólatra”, e assim por diante. E tudo vira um enorme bazar, onde o conhecimento é barganhado em relação ao psicologismo de araque e ao serviço social de duvidosa qualidade.
Duas situações:
Primeira. Há mais de quinze anos atrás, em aula em uma escola do município, uma professora me falou que não estava mais suportando a falta de profissionalismo e o caráter de improvisação e de precariedade da referida escola. Disse-me que, para ela, era inviável continuar lecionando em tal escola, porque entendia que o profissionalismo e a qualificação deveriam ser levados a sério. Dois meses após tal conversa, ela se exonerou. Ela havia ingressado por concurso público, e foi coerente com seu próprio sentimento, com seu sentido enquanto educadora. Ponto.
Segunda. Ano passado havia vários alunos na escola onde leciono que tinham visivelmente problemas psicológicos graves. O serviço de orientação escolar tentou encaminhá-los para uma instituição social que atende adolescentes em situação semelhante àqueles que a escola encaminhou. Aí simplesmente a instituição devolve para a escola o seguinte argumento: não podemos atender todos, então a escola deve escolher aqueles casos mais graves e nos encaminhar. Ora, escola não é serviço psicológico nem psiquiátrico nem hospital. Pergunta-se como pode a escola decidir nesses casos? Não pode, não é? Simplesmente não pode. Ponto.
As duas situações mostram como se lida com questões profissionais. Na primeira há coerência entre discurso e fala, entre comportamento e ação. Na segunda há uma situação que beira a mais rematada irresponsabilidade. Entre esses dois pólos a escola se debate, e o estresse provocado por situações díspares atravessa no dia-a-dia as atividades de quem ensina e de quem aprende.
Questões como essas faz com que pensemos em nossas atividades, praticamente todo o tempo. São angústias, temores, desconfortos com os quais temos de lidar e não sabemos como iremos reagir aos mesmos. É, portanto, indispensável que saiamos de vez em quando para reativar nossas baterias, talvez não o suficiente para enfrentar tais batalhas do dia a dia contratual que todos vivemos, imersos em uma sociedade que cobra o tempo todo e que proporcionalmente devolve poucos prazeres.
Vivemos em ambientes totalmente mapeados e instáveis a partir de estruturas que podem ser mais flexíveis ou mais rígidas. É necessário sair um pouco disso, antes que o workaholic mais próximo nos fatie e nos jogue dentro do seu mar de obrigações.HILTON BESNOS
Estamos, no vídeo acima, observando um cenário tão habitual mas, ao mesmo tempo, tão incrivelmente desconhecido, que beira ao desconforto. O que sabemos sobre o mundo do petróleo é jogado para os nossos universos micro, o quanto pagamos de gasolina no posto, qual vai ser o percentual de aumento sobre os produtos e os impactos sobre o custo de vida, a cesta básica, etc. Sabemos, por exemplo, das notícias sempre aflitivas de conflitos em zonas produtoras, enfim um caos que mereceria uma compreensão maior de nós todos, simples mortais. Basta pensarmos no pré-sal. o que sabemos? O que nos dizem, e é só, ou seja, o jornalismo é que nos mantém sabedores do que, evidentemente, interessa que saibamos.
Quando se fala em petróleo, se fala igualmente que não é uma fonte renovável de energia e, menos ainda, uma fonte limpa ou ecológica de energia. Um documentário informou que, após a idade do carvão como matriz mundial energética, o mesmo foi substituído pelo petróleo, mas que não existe qualquer outra fonte que o suceda. O mundo inteligente se volta, então, para as energias limpas, como a eólica e a solar, por exemplo, mas o fim do petróleo decretará consigo o fim de uma época importante para toda a humanidade.
Por outro lado, falar em petróleo é também pensar do ponto de vista cultural, social, antropológico, de exploração tecnológica e, não raro, pensar em guerras de dominação econômica e que se camuflam convenientemente sob o non-sense ideológico. De todo modo, o filme acima é uma preciosidade, e pode ser analisado sob vários ângulos que denunciam, cada um a seu modo, a predação e a tolice civilizatória de jogarmos todas as nossas fichas em apenas uma grande, mas finita, matriz energética.
Também nos alerta sob o fato de que teríamos de investir firmemente em processos alternativos energéticos, e, quem sabe, olharmos para a natureza com olhos distintos daqueles com que a observamos, sob cobiça, exploração de recursos não renováveis e pura e simples destruição para a sangrarmos com a pretensão de lucros cada vez maiores. Talvez aprendamos com o petróleo, ou com seu ciclo, que somos parte planetária, e que a natureza, gostemos ou não, reage a cada absurdo que cometemos. Nós somos os passageiros, mas não comandamos o que nos transporta.
O vídeo nos ensina. Sejamos humildes, aprendamos um pouquinho, um ínfimo que seja. HILTON BESNOS

O centauro, por menos provável que pareça, não mora nos pampas. O centauro também não é centenário, conforme poderia se pensar; na realidade é bem mais antigo. Alguns o chamam de mito, outros de O MITO, o que é mais interessante, mas o centauro continua por aí, meio arredio, meio sem aparecer nos points de costume. O centauro é um ser muito indeciso, entre a macheza do cavalo e entre o persistente senso de humanidade, e por isso ele é basicamente um bicho-homem (ou um homem-bicho) triste. Se há alguém com quem ele se entenda é com a iara, aquela que é metade peixe, metade gata (alguém já viu uma iara ou uma sereia feias, por acaso?). Com ela sim, o centauro consegue conversar, consegue se sentir bem. Já namoraram, mas nunca além do sentido mais metafórico, porque é impossível a ambos concretizarem seus sonhos eróticos. E isso é, muitas vezes, paralisante.
Nosso centauro se chama Enio e nossa iara se chama Maria Eunice, e eles adoram conversar, contar a respeito de suas experiências, sejam elas bem ou mau sucedidas. Aí teve uma noite em que, embaixo de um luar maravilhoso, se abraçaram e, perdidos entre sensações de amor, de encanto, beijaram-se de modo tão romântico que a própria lua, envergonhada, pediu para que uma nuvem cobrisse sua pudicícia. A lua, ao contrário do que pensam, não é para os namorados. É para os enamorados, o que é um pouquinho diferente. De qualquer modo, não quis presenciar os esforços românticos que houve entre um centauro e uma iara. As estrelas sim, essas indiscretas, presenciaram tudo.
Infelizmente o sol raiou, e Maria Eunice retirou-se para o fundo de seu lago, onde se sentia mais prisioneira do que rainha, mais constrangida do que esfuziante. E logo Enio igualmente se foi para longe, galopando para nunca mais voltar.
Hoje Maria Eunice já envelheceu muito, e passa seus dias lembrando da noite em que Enio a tomou nos braços, e em que seus lábios a tomaram como um vendaval. Nas tardes, Maria Eunice costuma cantar, mas até seus cantos não são mais os mesmos, pois o que lhe falta em encanto sobra em saudades.
Enio cada vez mais tem crises de identidade, pois se lhe a paixão o atormenta como uma lâmina, as patas o impulsionam para cada vez mais longe, mesmo que ele assim não queira. Enquanto isso o tempo, mensageiro de todos nós, simplesmente cofia suas longas barbas, enquanto expulsa as nuvens daqui para lá e de lá para cá. HILTON BESNOS
Abomino quem se comporta full time com a seriedade de uma pedra; quem não tem leveza e parece carregar o mundo nas costas. Normalmente essas pessoas contaminam o ambiente, trazem-lhe pesadas nuvens. Sua postura é algo que cheira a miserabilidade, a impotência, a tristeza. São infelizes essas criaturas e perderam de há muito o contato com a beleza e com as pequenas coisas bonitas que existem.
Abomino quem pensa que o ideal da vida é dizer aos outros o que fazer, durante o máximo de tempo possível. Abomino os administradores da vida alheia, os metidos, os inoportunos, os chatos. Tenho pena verdadeira de quem não sabe que o sol e a lua são cíclicos e que, em verdade, somos muito pequenos na face da terra. Penso sinceramente que as regras devem existir, mas não gosto de quem exige dos outros tal cumprimento.
Prefiro a lua ao sol. Prefiro a leitura à conversa descontrolada e ao falar por falar por falar por falar e, finalmente, por falar. Detesto conversas vazias, ocas, como um café mal feito e mal passado. Tenho verdadeira ojeriza a quem utiliza um poder factual para impor suas opiniões aos demais e, especialmente, para manipular esses demais.
Adoro gente ignorante quando encontra um lapso de lucidez.
Adoro a humanidade, mas não gosto de pessoas arrogantes, seja pessoal ou intelectualmente. Abomino participar de reuniões nas quais se dizem redundâncias ou em que alguém que se julga mais qualquer coisa que o outro se julga no direito de cortar a palavra alheia. Detesto situações nas quais apenas pensamos em nós mesmos, sem qualquer consideração ao grupo em que estamos.
Abomino gente que não sabe o que está dizendo e faz jogo pra platéia. Abomino democratismo. Tenho paixão por quem luta por suas convicções, mas que não se arma com um escudo e um míssil Tomahawk para submeter os outros ás suas opiniões. Amo partidas de futebol. Detesto comentários tolos, mal concebidos, comentários maldosos, jocosidades e situações nas quais se usa subterfúgios para ferrar os outros.
Desconfio de pessoas que não tem senso de humor, que adoram seguir regras, quaisquer uma delas – e se colocam na posição de juízes. Abomino gente dura, que pensa que a flexibilidade é sinal de fraqueza. Detesto bajuladores, o que não deve ser confundido com agressividade em relação àqueles que factualmente possam deter uma fatia (mesmo ínfima) de poder.
Tenho sérias desconfianças de quem só pensa em trabalho e não sabe o que fazer quando se aposentar, a não ser a certeza de que vai trabalhar mais ainda. Acho estranhas as pessoas que se constrangem quando se fala a respeito de sexo, ócio, prazer e em tudo que nos faz mais humanos.
Abomino pessoas que precisam de aprovação de outros para dar um mísero, um humano e um simples flato (para ser educadinho). Abomino quem diz ou demonstra saber tudo e diz o tempo todo que sabe como os outros devem se portar. Detesto quem se comporta de modo o mais conveniente possível.
Mais ou menos assim. HILTON BESNOS

Um comentário de quem não é economista, não trabalha no mercado financeiro, não é banqueiro (embora já tenha sido bancário em priscas eras) e menos ainda empresário, a respeito da atual crise mundial de crédito, denominada genericamente de crise dos mercados. Não há outro assunto que ocupe tantos espaços na mídia. Os que ainda não sofreram irão purgar as conseqüências terríveis e virulentas da crise dos mercados, que irão se abater como as sete pragas que contaminaram o Egito. Ainda não se identificou quem faz o papel de Moisés, se a Coca-Cola, a Pepsico, a Monsanto, a Warner, a CNN, a Phillips, a Sony, a TNT, a city de Londres, a Exxon, La Maison Vuiton, a indústria automobilística, o Vale do Silício, a Microsoft, o Carrefour, a American Express, a General Electric, os bancos comerciais, a Apple, a indústria bélica, a máfia, as bolsas asiáticas, os países europeus, o euro, o dólar, a Rua do Muro de Nova Iorque, as transferências e as deslocalizações financeiro-monetárias, os clubes de futebol que funcionam como transnacionais, o Mc Donalds, a Disney, a Mottorola, a Vale, a rede mundial de computadores, o Mastercard ou o Visa, et caterva, ou uma ampla e etérea união de capitais que congrega todos esses entes aos quais nos curvamos e batemos palmas, submissos no papel de consumidores. Mas, sem dúvida, no papel de egípcios estaremos todos nós, de modo indistinto.
Botando os pingos nos iis: os mercados são o resultado visível e concreto das operações efetivadas por megacorporações que dominam a mercancia mundial e que detém poder suficiente para submeter as economias e portanto as políticas da maioria dos países. Para termos uma idéia da concentração e da força econômica de tais empresas, vamos citar, apenas de passagem, a Monsanto.
Em 2003, as 10 maiores controlavam um terço do mercado mundial. Hoje chegaram a 49 por cento do valor global das vendas desse insumo, segundo o informe Concentração da Indústria Global de Sementes – 2005, do Grupo ETC. Agora a Monsanto é a maior empresa de venda de sementes comerciais, além de já ter o monopólio virtual na venda de sementes transgênicas (88 por cento em nível global). Na última década, a Monsanto engoliu, entre outras empresas, a Advanta Canola Seeds, a Calgene, a Agracetus, a Holden, a Monsoy, a Agroceres, a Asgrow (soja e milho), a Dekalb Genetics e a divisão internacional de sementes da Cargill. Suas vendas de sementes, no último ano, alcançaram mais de 2,8 bilhões de dólares. A Monsanto e a Dupont têm sede nos Estados Unidos.
Em relação à área global cultivada, as sementes transgênicas da Monsanto cobriram 91 por cento da soja, 97 por cento do milho, 63,5 por cento do algodão e 59 por cento da canola. Em nível global (somando cultivos convencionais e transgênicos), a Monsanto domina 41 por cento do milho e 25 por cento da soja. A aquisição da Seminis permitiu à Monsanto alcançar a distribuição de 3.500 variedades de sementes a produtores de frutas e hortaliças em 150 países. Em setores onde a Monsanto era invisível, agora controla 34 por cento das pimentas, 31 por cento dos feijões, 38 por cento dos pepinos, 29 por cento dos pimentões, 23 por cento dos tomates e 25 por cento das cebolas, além de outras hortaliças. Silvia Ribeiro,pesquisadora do Grupo ETC http://www.etcgroup.org em http://alainet.org/active/10410&lang=es
A partir da década de 70 e capitaneados pela Escola de Chicago, tendo como guru Milton Friedman, os arautos do neoliberalismo implementaram uma nova ordem mundial, com o aporte ideológico e financeiro dos mesmos países que trouxeram a si os papéis de protagonistas em Bretton Woods: Estados Unidos e Inglaterra. A Escola de Chicago contrapunha-se ao keynesianismo, segundo o qual “a mão invisível do mercado” absolutamente não garantia nenhuma estabilidade reguladora na economia mundial, além de não ser eficiente no combate às crises e menos ainda dava qualquer segurança ao que se convencionou chamar de welfare state (estado de bem-estar social), ideologia política que propugnava por políticas sociais garantidoras dos direitos dos cidadãos. Para Keynes o Estado deveria intervir sempre que necessário para garantir uma economia saudável e socialmente compatível com sua própria função.
Os governos Reagan e Tatcher empunharam firmemente a bandeira do neoliberalismo que propunha a “diminuição do estado”, processo que foi acelerado especialmente a partir da década de setenta (século XX) com a crise mundial do petróleo. O neoliberalismo elencava como agenda a privatização de empresas estatais geradoras de lucro (muitas vezes em atividades sensíveis ou estratégicas), um trânsito mais liberado de encargos em relação ao fluxo internacional de capitais, especulativos ou não, a desregulamentação das leis trabalhistas, como meio de forçar o desmonte dos sindicatos, corroer os salários e forçar ajustes mais benéficos ao capital, a queda tarifária e tributária, como meio de desoneração das empresas, e o incentivo à guerra fiscal, pelo qual os estados deveriam ser selecionados para as atividades produtivas na proporção inversa dos tributos a serem pagos pelas empresas, além de outros critérios econômicos e políticos.
Por outro lado, o neoliberalismo foi beneficiado, igualmente, com um denso aporte tecnológico, em especial representado pelo desenvolvimento exponencial da informática e dos sistemas de telecomunicações. Não há praticamente um lugar de interesse ao mundo econômico que não seja rastreado via satélite e as informações nos chegam a todo momento dos mais diversos cantos do mundo. As mega-empresas, assim, podem usar todo um processo de deslocalização e transferir seus capitais a um toque no computador ou a um telefonema, visto que todos os sistemas econômico-financeiros são informatizados, a exemplo das redes bancárias, para usarmos um exemplo mais comum. Da mesma forma como operamos em caixas eletrônicos o fazem as grandes corporações. Só que o celular nunca está temporariamente desligado ou fora de área.
A atual crise dos mercados é uma crise de crédito. Emprestou-se dinheiro a quem não podia pagar. Depois venderam-se os títulos que não seriam pagos, e que foram comprados. Por outro lado, especulou-se na bolsa sem um lastro de liquidez possível. Dito assim parece ser simples. Na verdade é. Quando você vai viajar de carro, deve fazer uma revisão no veículo antes da viagem. Se ele tiver algum problema, resolva-o e só depois pegue a estrada. Simples assim. No caso o véículo teve problemas longe de tudo, mas o proprietário já sabia que iria dar problemas. Daí se conclui que, como não estamos lidando com amadores, muitos devem estar lucrando, mas, sem dúvidas, muitos mais estão pagando esses lucros adicionais.
Embora haja um razoável esforço midiático para aproximar metaforicamente mercados e pessoas comuns através da linguagem, não podemos nos enganar com expressões como “mercados nervosos”, “os mercados estão estressados”, “os mercados estão flutuando”, os “humores do mercado” ou qualquer outra preciosidade semelhante: se há algo que é absolutamente inumano são os mercados. Aos mercados só interessa o lucro, especialmente dentro de uma ideologia neo-liberal. Portanto não tenhamos ilusões. Capitais tem de vir de alguma parte; de onde eles venham, serão acolhidos. HILTON BESNOS

Até onde o conhecimento nos leva? E enfim, para que caminharmos? A própria caminhada nos ensina a andar e sabermos onde queremos ir ou, pelo menos, onde pretendemos chegar. Com o tempo e com o exercício de andarmos, vamos acumulando experiências, de tal modo que podemos reconhecer os atalhos, as curvas, as subidas mais ou menos íngremes, onde estão os regatos, as fontes, quando temos de mergulhar para atravessar um riacho. Nos movermos em relação ao conhecimento nos torna aprendentes mas, hoje em dia, esse caminho não é algo parecido com a reta que une dois pontos, partindo-se do mesmo plano. Alternativamente, temos vários planos que se fundem, que se atravessam, e os objetivos parecem, muitas vezes, esfumaçar-se. De certo modo, há uma névoa em tudo isso.
A difusão parece reinar em meio aos exercícios que fizemos para buscar algo que entrevemos, em alguma instância do futuro. No entanto, os planos se atravessam, o que é uma característica do nosso tempo atual: fossemos modernos e não pós-modernos, teríamos a certeza de que, trilhado um determinado caminho, atingiríamos um determinado lugar. Hoje vivenciamos instabilidades. Nossa época é francamente de consumidores, e não de produtores, como explicita Bauman. Confundimos situações que estão em mercado com situações que não são passíveis de ser negociadas, conforme lemos em Dany-Robert Dufour (1). A lista é grande e de qualidade. Pessoas que aprendem, mas aprendem o que, por que e para que, talvez essa devesse ser a pergunta mais correta a ser feita, uma pergunta que não pode prescindir de valores (axiologia).
Parece, contudo, que isso não importa muito.
De todo modo, temos de imaginar pontos ou objetivos que se encontram em movimento. Contudo, a incerteza e a instabilidade em um mundo voltado para o consumo nos faz lembrar o que, em 1927, Heisemberg concluía ser o princípio da incerteza, no que trata de física quântica, a das partículas elementares que constituem a matéria. Segundo o mesmo (2), “É impossível conhecer simultaneamente e com exatidão a posição e o momento de uma partícula.” Por momento entenda-se o produto da massa pela velocidade.
Embora não se investigue a física quântica aqui, podemos traçar alguns paralelos, quando pensamos no conhecimento e, especialmente no aspecto social do mesmo. Estudar é um valor, mas também é algo que visa a melhoria de nossas vidas no sentido prático. Conforme já o diz Domenico di Masi, se duas pessoas virem o mesmo filme, sendo uma delas ignorante e a outra não, sem dúvida não terão assistido o mesmo filme. Sabedoria provinda da experiência. No momento em que não nos arriscamos ao erro, a flutuar entre possibilidades, o conhecimento se afasta, se embarafusta em alguns dos vários planos pelos quais pretendemos vislumbrar melhores possibilidades.
Precisamos, antes de tudo, mesmo antes do objetivo, aprender a valorar. Saber intuitivamente que água é para ser bebida, o que nos leva ao risco de navegarmos entre as incertezas. Para isso se aprende, para nos tornarmos seres mais independentes do que antes éramos. Se não entendemos isso, transformamos o saber em uma mercadoria e a vida nos passará in albis. Pequenos prazeres, os de sempre, não mais que isso, uma vez que não nos dispomos ao risco. Por isso a aprendizagem, seja ela qual for, pode ser mediada por terceiros, mas somente quem aprende consegue corporal e mentalmente aquilatar as transformações que ela ocasionou. Em tudo somos seres encarnados. Mesmo nas buscas metafísicas somos encarnados.
De toda forma, caímos aqui no tipo de conhecimento que interessa. Ele é socialmente desejável, é relevante do ponto de vista econômico, é produtivo, tende à pesquisa e à troca de informações. Esse conhecimento é o que, em tese, faz com que as coisas aconteçam da maneira como acontecem. Faz com que pessoas casem e tenham filhos, faz com que estudem e busquem melhorar as suas vidas, ter um emprego que as valorize, ter o que dizer aos mais jovens, ter efetuado algo socialmente validado pelo discurso médio. Em termos mais estritos, é o conhecimento que interessa aquele que nos leva a perceber o outro enquanto diferente de nós, mas respeitável. É o que nos faz trabalhar em grupo, em equipe, é o que mantêm o status quo, é o que nossos pais gostariam firmemente que fizéssemos.
Nem sempre, porém, é possível vislumbrar tal tipo de conhecimento, pois é necessário que haja uma sutil gradação social, um processo que se dá já a partir das vivências que temos em nossa família, nos grupos sociais em que somos pares, nas ideologias que estão postas como cachos de uvas para serem saboreadas ou cuspidas. Se não conseguimos entender tais situações dentro da multivariedade de planos em que estamos colocados, nossa tendência será a de resistir. E resistir de modo bastante claro e por vezes incisivo àquele conhecimento que nos leva à angústia, a termos de suplantar nossas dores, ao sacrifício do abrir mão de algo para obter o que se espera. O processo de aprendizagem é longo, exige por vezes preços altos e nem todos se dispõem a pagá-lo ou tem a capacidade de renúncia esperada. Nem sempre os objetivos, por outro lado, são claros (aliás, são encobertos na maior parte das vezes). Contrariamente ao que tínhamos como fixado, como erguido às custas de sacrifício para que pudéssemos, mais tarde, desfrutar de uma posição confortável, apresenta-se a realidade como flexível, instável, pontilhista, fugaz.
A sabedoria é encontrar, ao longo de um processo assim caracterizado, uma miríade de pontos de equilíbrio onde possamos nos apoiar, não mais que temporariamente, não mais que rapidamente, não mais que fugazmente. Talvez por isso as profissões de eleição social não tragam, de per si, as vantagens que queremos obter. Verifique-se: os parâmetros utilizados são os dos produtores em época de consumidores, de carreiras plantadas e feitas de maneira unidirecional em época de transições. Nunca precisamos tanto dos outros, pois na medida em que os planos de interseção mudam, igualmente necessitamos que os outros nos alertem dessas mudanças. Não é simplesmente estudar por estudar, mas saber as razões de porque estudamos. Converter o estudo, o processo de ensino e de aprendizagem em um padrão meramente capitalista é uma rematada tolice.
As profissões de eleição social não garantem mais uma real ascenção social, a não ser aquela aliada ao nome institucional. Ser médico hoje é tão-só ser médico hoje, e não mais ser, como há quarenta anos, um deus. Poucos acreditam em deuses atualmente. Talvez nem eles, deuses, acreditem piamente no que são ou deveriam ser. É possível que o parâmetro então deva ser igualmente alterado e é bem mais realista que façamos um investimento em áreas nas quais, além das promessas, possamos ter aquela velha e tão aprazível sensação de que fizemos algo com nossas próprias mãos e nos sentimos felizes por que o fizemos. Que temos habilidade para algo e nos entregamos a esse algo na medida em que nos capacitamos mais e mais no desenvolvimento dessa habilidade.
Não basta, então buscar o conhecimento como se ele fosse um dogma, um castelo, uma universidade reclusa em si própria, como se o conhecimento fosse a garantia de um título, mas sim que o conhecimento nos traga a felicidade de descobrirmos que somos capazes de, que podemos, que a nossa auto-estima não depende da opinião de a, de b ou de c, sejam a, b e c quem forem. É possível então que vivamos em um mundo no qual as materialidades tenham menor importância do que tiveram para os nossos pais. Eles, sim, vivendo em um mundo no qual a segurança material era um apanágio de uma carreira linearmente estruturada, possuíam tal visão do mundo. Hoje, uma visão de mundo atual requer a não-linearidade, a complexidade, a abertura em relação ao outro e às suas diferenças e uma singular presença criativa e de cooperação.
Nada do que se faz, se faz só, mas nada do que se faz em conjunto se faz integralmente em conjunto. Aprendemos sós, mas na presença do outro, na interveniência do outro. Conforme Maturana, não podemos mudar nossos padrões e nem as nossas estruturas. O máximo que o outro pode fazer é perturbar-nos. Em meio a tais perturbações crescemos para um mundo no qual o conhecimento é indispensável. Talvez agora estejamos mais próximos do que nunca do compartilhamento, senão por concessão, por necessidade. Ouçam um músico tocar em duo, em trio, em orquestra. Cada instrumento continua sendo um instrumento, mas o efeito da harmonia é esplêndido. É possível que possamos entender um pouco mais do humano na medida em que nos cerquemos de harmonia.
A música tem muito a ensinar-nos. HILTON BESNOS
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.